domingo, 23 de outubro de 2011

Anos de chumbo, sociedade civil e reforma partidária.

O anos 70 foram anos de lamentação, a utopia da década anterior cedeu espaço para a silêncio, desencanto. Cada um vivia na sua, com meios mais alternativos. Em maio de 77, os estudantes foram às ruas desafiando a proibição da ditadura, surgem as greves e as reivindicações pelo direito de greve, surge o movimento das mulheres pela anistia, do custo de vida, a OAB, os padres católicos e a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) apoiavam a luta pela anistia ampla, geral e irrestrita. Artistas de engajaram, o hino pela anistia era "O Bêbado e a equilibrista" de Aldir Blanc e João Bosco. A Lei da Anistia só saiu em 1979. Perceba que a sociedade civil, instituição distinta das instituições do Estado, desempenhou um papel fundamental para o fim do regime.

"de tanta gente que partiu, num rabo de foguete" (os exilados), "volta do irmão do Henfil" (o sociólogo Betinho, também exilado), e "choram Marias e Clarices" (esposas de Manoel Fiel Filho e Vladmir Herzog, torturados e assassinados no QG. do II Excército)

Nesse mesmo ano, com a reforma partidária, o Arena,  partido que apoiava a Ditadura Militar, transformou-se em PDS (Partido Democrático Social) e o MDB, considerados da oposição, transformou-se em PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro). A grande liderança do PMDB era o deputado paulista Ulysses Guimarães, justamente com Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e até mesmo membros do PCB e do PC do B (partidos ainda clandestinos). Surge o PT (Partido dos Trabalhadores) no contexto das greves sindicais do ABC paulista (cidades de Santo André, São Bernardo e São Caetano) [Vamos fazer um post especial sobre movimento operário]. O PDT (Partido Democrático Trabalhista), fundado por Leonel Brizola e seus companheiros, queria um partido que misturasse ideiais trabalhistas e nacionalistas com os ideiais da social-democracia europeia. [Vamos fazer um post sobre a Social Democracia]. E por fim, o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro).



Em 1982, a população pode finalmente desde 65 votar nos governadores, porém a oposição conseguiu eleger apenas 10 dos 22 governadores, inclusive os de São Paulo (Franco Montoro), Rio (Brizola) e Minas (Tancredo Neves). O pacote de de abril de 67 baixado por Geisel, não permitia que o número de deputados eleitos fosse proporcional ao número de eleitores de cada estado. Nos estados do Sul e do Sudeste onde a oposição era maioria, precisava-se de dezenas de milhares de votos para conseguir eleger um único deputado. Nos estados do Norte e do Nordeste, onde a oposição era minoria, o PDS precisava de uns poucos milhares de votos para eleger um deputado. Somando o total de votos do país, o PDS tinha menos que a oposição, mas como concentrou muitos votos em estados onde não precisava de muitos votos para se eleger, o PDS acabou tendo a maioria dos deputados federais no Congresso, que por conseguinte iriam votar no Presidente da República.


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